A boa arbitragem educativa no Bom de Bola

23/11/2016

Um atacante da EMEF Santos Reis, de Agudo, na disputa pela vaga na final contra a Escola Machado de Assis, de Igrejinha, não parava de reclamar e pressionar o árbitro Marcos Antonio Saccon, principalmente pelas faltas que sofria. Tanto fez que ouviu uma bronca monumental do juiz: “tu quer parar de reclamar? Eu estou conduzindo o jogo, não atrapalha. São meninos como tu, para de choradeira e joga!”. Para Sergio Leonir Lermen, coordenador de arbitragem do Bom de Bola gaúcho, era o caso para cartão amarelo – “mas ele optou pela arbitragem educativa, agiu como um pai, e o jovem acabou respeitando”.

No evento sócio-esportivo essa era a regra. Apenas as jogadas mais ríspidas ou intencionais justificavam o [cartão] amarelo. Lermen tem muita rodagem no apito: começou em 1990, com 12 anos no futebol de campo e 17 no salão. Está desde a terceira edição do Bom de Bola RS, por cuja iniciativa tem imenso carinho. “Procuramos combinar árbitros experientes, alguns já fora do quadro, que atuam no amador, com os mais jovens, que estão iniciando carreira e assim revelar os melhores, os mais promissores”, descreve.

Lermen tinha fama de durão – embora sempre educado e sereno - quando apitava o Gauchão e no futsal– e certa feita expulsou o craque Falcão, quando jogava na Malwee. “Me vetaram nos demais jogos da Malwee, mas nunca me incomodei com isso”, riu, ao lembrar.

No Bom de Bola, contudo, seu trabalho de coordenar era tranquilo, embora repleto de responsabilidade e um pouco cansativo, pela sucessão de jogos. “Os jovens levam essa experiência para o resto da vida, então temos que agir com máxima seriedade e respeito. Inclusive pela importância do projeto”, confirmou. “A pressão dos professores, por vezes, é maior do que dos atletas que, quando fazem uma falta dura, já baixam a cabeça e pedem desculpas”. No total, o torneio envolveu 45 árbitros, auxiliares e delegados, dos quais 12 na fase final, em Passo Fundo.

O quanto ensina apitar o Bom de Bola? Para exemplificar, Lermen resgata nomes de árbitros gaúchos que, no início de carreira, passaram pelos gramados do evento sócio-esportivo: Anderson Daronco (Fifa), Jean Pierre Gonçalves Lima e Carlos Eugênio Simon, que apitou uma final!